Falta o Básico

Estamos vivendo um momento pós-moderno de grande acesso à informação, de uma grande velocidade, que mina a paciência das pessoas na lida com o tempo mental, incitando-as a uma rapidez sempre maior.

Fomos nos esquecendo de que algumas coisas precisam de tempo para que possam ser colhidas, inclusive nos plantios de bem estar físico e mental, e na construção de conhecimento, de uma carreira.

A maturidade é um fruto que precisa de tempo, e isto vai na contramão do imediatismo que se planta em tempos de globalização, e de uma angústia que clama por resultado, porque sabemos todos da nossa inevitável morte.

Por isto, é necessário senso crítico com o que se lê, se ouve e se vê, porque a mídia naturalmente não é imparcial e reproduz muitas vezes de forma inocente e outras vezes nem tanto, conteúdos duvidosos.

A humanidade desde sempre buscou receitas rápidas para o sofrimento mental e seria mesmo um grande alívio se elas existissem, mas elas não existem, nunca, e para nada no que diz respeito às emoções.

Falo de uma grande quantidade de “profissionais” que dizem o quanto as coisas são simples, basta seguir o passo a passo.

Gente que vende teorias de mais de um século sem sequer saber disso, revelando que nem sempre há má fé, mas sempre há ignorância. Vendem como grande novidade, vendem receitas práticas cuja base teórica desconhecem.

Se não há tempo de se debruçar sobre os livros, há o risco da banalização da informação e da transformação de teoria em receita.

O que falta portanto, é o básico. Não o básico no sentido do óbvio, mas no sentido daquilo que estrutura algo, como na construção de uma pirâmide. Ela não existe sem base, não tem topo sem base, e sua base deve tomar muito mais espaço do que a parte superior.

Construir conhecimento teórico básico ou seja, estruturado, sistematizado e sólido exige tempo.

E existem os profissionais que não dispondo do tempo, por um ou outro motivo, circulam pela terra que desconhecem, terra de todos e de ninguém. Saem ditando o óbvio, dizendo o quanto é simples, tentando matar o tão produtivo anseio da busca, vendendo ilusões.

Questiono a formação básica de algumas pessoas que saem atuando como coaches, terapeutas alternativos, ou gente formada em X, mas que trabalha com Y, criando riscos que sequer conhecem.

Profissões que não existem, que não tem regulamentação, que com embalagens atraentes promovem no mínimo a decepção dos desavisados, e no máximo, o risco.

Se vivemos sob uma legislação que regula e autoriza práticas com base em teoria, reconhece e autoriza cursos, estamos no mundo civilizado.

Há o saber de senso comum, de muito valor, que é a sabedoria que todos temos sobre como lidar com as coisas, é um saber do óbvio, que não necessita de anos de estudos e leituras para se construir. Ás vezes é apenas um conselho, que dizem que se fosse bom seria vendido.

Tem gente achando que é tão bom em dar conselhos que os está vendendo, cuidado.

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